Esses laços

 

Desembaraço 

os nós de tempo 

e espaço

que se sobrepoem

uns aos outros

quando nesses encontros. 

Descasco as camadas

uma a uma

com mãos trêmulas 

de café em excesso.

Mergulho nos mistérios 

escondidos no buraco negro 

do sofá que engole isqueiros.

Afasto com um aceno

a densa fumaça 

de haxixe e tabaco

e remexo 

nas tramas da vida.

Faço magia antiga

com as palavras

e sofro em silêncio 

no fim de cada verso.  

Empurro os véus

que encobrem 

nossas vistas cansadas

de repente. 

Medito

por entre

os vãos livres 

dessa jornada,

respirando o ar 

cheio de gente. 

Toco o amor eterno

com a ponta dos dedos 

enfrento meus medos

de cara lavada 

de lágrimas.

Retiro 

as máscaras

que me protegem

e mostro

a fratura exposta. 

Misturo o real

ao ilusório

com uma colher

grande demais

em um corpo 

ainda raso.

Não me conformo,

quero meter 

o bedelho

aonde fui chamada.

Toco as campainhas

das portas entreabertas

e das trancadas,

corro como criança

rindo da minha desgraça.

Brinco nesse parque

e descanso 

enrolando minhas histórias

nos seus cabelos lisos.

Me mudo 

para as lembranças

na esperança 

de que lá more a verdade.

Conservo os fatos

em potes 

e metáforas

no bloco de notas

num banco de praça. 

Estendo a mão 

a quem passa

e sigo guiada  

por fios invisíveis

a cada esquina. 

Se me encontrar

abanando os braços

no meio do caminho

saiba que sou

maestrina. 

Toco e 

me embaraço

nos nós

que existem

entre nós

e crio outros.

Orquestro 

um novo 

universo e

num abraço

me despeço 

e despedaço

quando nesses 

desencontros. 

#Canal da Yaya

Uma amiga que eu amo me chamou para gravar um vídeo para o canal dela. 

Ela se jogou nessa aventura de youtuber recentemente e já vem brilhando muito com temas ultra pertinentes. Boto muita fé nesse projeto dela e nela. 

Ela é uma atriz-menina, já velha de guerra, que desde criança fala com crianças (e adultos também). Apresentadora das boas e agora aprendiz de diretora, editora e roteirista. Virginiana dedicada vai sempre atrás do que acredita. 

Um orgulho danado. 

Esse serumaninho iluminado chegou na minha vida pelas portas da minha irmã e ficou em casa, família mesmo, sabe? 

E minha irmã é outra daquelas que dá orgulho de ver crescer. E essa eu vi mesmo, desde neném. E hoje, essa cantora, guitarrista, rockstar do meu coração, sempre que abre a boca sai a melodia da verdade. Toma essa, com sobrancelha levantada. E quando ela fala (ou canta) eu só escuto.

Ver essas minas aí falando de coisas tão importante pra elas e pra mim, me enche o peito, irmã mais velha, sabe? 

Eu admiro, aplaudo e faria de tudo pra ver essas duas voarem. E é por isso que eu tô nesse vídeo com elas: pra apoia-las em tudo e pra me apoiar nelas. 

E voar todo mundo junto. 

A gente fala de tudo nos nossos encontros: sonhos, planos, mozões, piadas, comida, espiritualidade, beleza, silêncio. A gente já montou até banda e quando eu aprender a tocar alguma coisa, espero poder tocar o mundo com nossos encontros. 

Por isso gravamos um dos papos aqui em casa e isso você pode ver aqui:

Doce Novembro

Chegou novembro
devagar
numa primavera úmida
e iluminada.
Com seus feriados
e finados
fim, começo e descanso
se fazem necessários. 
Super lua
sol em escorpião
o oculto se levanta
e se apresenta como solução.
Sutilmente.
O escorpiano
que em novembro mora
quer verdade
não veneno
e quer agora.
Novembro
mês onze
o penúltimo apostolo
num movimento
que até parece retrógrado
na realidade
se prepara para
saltar
milhares de anos-luz
num universo molecular.
Poucos instantes antes
do fim de mais um capítulo
o tempo se desfaz
e na iminência dessa morte
novembro vem mostrar
aquilo que não satisfaz.
Tudo se apresenta
em pedaços
e sinais. 
Novembro cansa normalmente
já é fim de expediente
imagina num ano
exatamente como esse.
De puro
caos. 
Mas aguarde pelas festas
observe pelas frestas
por onde o novo pode entrar. 
Parece que não há
nada à comemorar
mas é aí que vive o convite
desse doce novembro
num ano macabro: 
veja além da superfície aparente
e com olhos de devoção
comprove empiricamente
que vem chegando o verão.

Olar

E ai, tudo bem? Já faz algum tempo, né? Como tem passado? Eu vou presente. Cada dia de cada vez. 

Não sei o que dizer para retomar nosso assunto há muito visualizado. Tanta coisa aconteceu desde então. 

Deixe eu me reapresentar: eu sou. Não vem nada depois disso. Nem nome, nem profissão, nem idade, nem estado civil. Nada que importe mais do que ser. 

Ser é um estado puro que já nasce com a gente, mas a gente esquece com o tempo. Esquece tentando fazer ou ter ou parecer. A gente esquece de ser criança inocente. A gente esquece que sempre fomos, mesmo sem falar ou andar ou trabalhar. 

Acontece que a sociedade contou várias histórias pra gente dormir, sabe? Fez a gente parar de sonhar. 

E aí, e repente, é como seu eu tivesse acordado desse longo pesadelo e despertado para quem eu realmente sou. Lembrei daquela criança e também da alma velha. Mas o pesadelo tinha sido tão profundo, que ainda estou cambaleando pra sair da cama. O pesadelo: minha própria realidade. A gente se acostuma a viver em cenários surreais e acredita que isso é a vida. Não é. Dá pra acordar além disso. 

Queria achar palavras melhores pra construir as metáforas certas. Acho que isso é uma aflição de todo mundo quando tenta se expressar: quais as melhores palavras para descrever? É uma escolha, um abandono de todo o resto que poderia ser usado. 

Não tenho resposta ainda, acho que a coisa vai tomando forma enquanto escrevo. Sempre achei que as palavras tem vida própria e eu sou só um veículo. E é por isso que estou aqui, retomando nosso papo, para deixar a palavra sair. E a interpretação cabe a você. 

Acho que eu sou um reflexo de um mundo que está mudando apesar de mim. Sou apenas uma parte de um todo. Eu e você, somos o todo. E esse todo está cansado, não está? O pesadelo coletivo já não tem feito mais sentido. E talvez essa seja uma boa hora pra abrir os olhos. 

A gente veio cada um com um despertador interno, que vai impreterivelmente soar sem snooze e dizer: acorda pra vida. Pode demorar diversas existências, mas vai acontecer. E eu te digo tudo isso, pra quem sabe, soar o seu alarme agora. Porque você também é. 

Estava com saudades. Manda notícias. Te amo.

Felisimplicidade

Perdi a Aurora Boreal porque fui idiota e contei aqui nesse post do Facebook (e se quiser acompanhar mais falhas da minha viagem, cola lá).
E desde então eu venho percebendo como a felicidade real é tão mais simples que fenômenos extraordinários como a Aurora Boreal.
Aí vai uma lista de coisas que tem me dado um grande up ultimamente:

  • O café quentinho depois de caminhar algumas horas no frio.
  • Deitar na cama no fim do dia, tomar um chá de camomila e massagear os pés.
  • Brincar com uma criança no restaurante.
  • O bolo de cenoura do Laundromat Cafe.
  • As famosas sopas Islandesas (no meu caso, sem peixe ou carne).
  • As mensagens de amigos queridos no whatsapp.
  • Os comentários das pessoas no meu post do Facebook me animando.
  • Falar com a minha irmã no telefone pela manhã.
  • A mordomia do ônibus das excursões que me busca e me devolve na porta do Hotel em qualquer passeio.
  • O meu suéter de lã encostando na pele.
  • O silêncio da cidade a noite.
  • O primeiro gole na cerveja artesanal com um pedaço de laranja.
  • O cheiro do meu novo desodorante de rosas que não maltrata animais e não tem parabeno.
  • A visão da montanha cheia de neve ao fundo de qualquer passeio na cidade.
  • Chegar no hotel sã e salva depois quase perto da meia noite.
  • Vestir minhas pantufas em casa.
  • Ver as fotos da viagem e lembrar a sensação de quando estava lá.
  • Passar a tarde num café escrevendo e ouvir a playlist maravilhosa deles.
  • Olhar nos olhos do cavalinho islandês.
  • Sonhar com coisas surreais e divertidas.
  • Uma ligação da minha mãe ou do meu pai.
  • Receber um vídeo de um grande amigo contando as novidades da vida dele.
  • Sorrir para um estranho e ele sorrir de volta.
  • Concluir itens da lista.
  • Conseguir ter conversas profundas em inglês.
  • Achar moeda no chão.
  • Contar e ver que tenho moedas suficientes para pegar o ônibus.
  • Falar que sou brasileira e ver as pessoas dizerem obrrrigado.

Tem muitas coisas mais simples e ainda mais verdadeiras, vou atualizando a lista conforme sentir necessidade.

=)

Um monumento ao erro

Estive em Pisa. Estou andando pela Italia e Inglaterra há alguns meses e Pisa não seria muito impactante não fosse pelo casal incrível que nos recebeu lá e pelo particular fator de que essa cidade tem um monumento bem bonito e torto. Sim, torto. E é bem torto visto pessoalmente.

Olhei praquilo por um bom tempo e pensei que se as pessoas vem até aqui (basicamente do Japão) para visitar a torre, tirar fotos (basicamente empurrando a torre) e (no meu caso) admirar essa obra de arte é porque deve haver uma boa beleza na falha.

Se a torre fosse normal ela seria ainda sim linda (serei justa), mas não seria talvez tão famosa ou tão charmosa. Ou pelo menos pra mim não teria tido o impacto diferente do resto das obras feitas pelo homem com as quais já me deparei.

A natureza manja dessas coisas de falhas exuberantes e aleatoriedades incríveis. Mas o homem e seu ego inventaram, e estão até hoje perseguindo, a idiota perfeição. E uma coisa como a torre de Pisa fere uma série de conceitos humanos. E vê-la lá toda linda e toda torta e toda trabalhada na magnitude me fez aceitar um pouco mais minhas falhas.

Minha(s) tatuagem(ns) meio torta(s), minha ansiedade, meus vícios, minha agressividade, minha vaidade, minhas dúvidas, minha perna fina, meu pescoço muito grande, minha mente acelerada, meus óculos e minha galocha super cara que eu estava usando e não precisava ter comprado. Isso tudo com certeza faz parte da minha beleza.

Mas a diferença entre mim e a torre é que eu posso me erguer um pouco mais a cada dia, mas nunca, nunca serei perfeita. A perfeição é contrária a própria vida. Outras torres são perfeitas, não montanhas e cachoeiras e animais e flores. Se eu estou viva é porque estou imperfeita. Se estou imperfeita é porque posso melhorar. A torre está fadada a ser assim até que o tempo a consuma definitivamente. Eu posso esculpir coisas incríveis (e imperfeitas) de dentro pra fora. Sou produto da natureza e não da criação do homem.

E ergo dentro de mim um monumento às falhas, aos erros, e à beleza do que foge do perfeito, do padrão e do esperado. E virei visitar constantemente. Sem minhas falhas eu definitivamente não teria chegado até Pisa.

E a jornada não tem sido em busca da perfeição e sim da aceitação do imperfeito. Até nisso falho bastante. Mas vamos que vamos que em breve sigo viagem para a Islândia, onde a natureza provavelmente se empenhou bastante em ser (im)perfeita.

Essa foto é bem imperfeita, vamos por um momento contemplar essa cabeça que eu cliquei sem querer.

Essa foto é bem imperfeita, vamos por um momento contemplar essa cabeça que eu cliquei sem querer.


Gênova, Itália, 31 de dezembro de 2015. 

 

Olá meu querido 2016,

Você está chegando e eu quero te receber de braços e coração abertos para que você sinta que tem morada dentro de mim. Essa carta é para te dar boas-vindas. 

Tenho esperado pela sua chegada desde sempre, pois é sob seu domínio que completarei 30 anos de vida e desde que me conheço, tenho a sensação de que será uma bela etapa da minha vida. 

Mas já vou te alertar que antes de você, amei muitos outros. Você não será o único, mas será muito importante. Aliás, amei profundamente todos que vieram antes de você, mas você me entende, né? Não precisamos ter exclusividade, isso é coisa que eu pensava lá pelos anos 90. Hoje já sei que quanto mais amores eu tive e mais relacionamentos anteriores eu vivi, mas eu aprendi e melhor estou para ser toda sua, por um período, que sim, vai se acabar. Mas suas marcas me acompanharão para sempre. Estou deixando claro que começaremos já rumando ao fim, mas que teremos uma longa e prazeirosa jornada. Vamos viver o tempo que temos juntos e depois seguimos com nossas memórias. 

Ah meu 2016, fico imaginando que histórias nos aguardam, que lugares vamos visitar, que lições vamos aprender juntos, o que ganharemos e o que perderemos, quem vamos conhecer e de quem vamos nos despedir. Mas a verdade é que essas aspirações são breves, porque aprendi com meu amado 2015 que viver o presente é o melhor modus operandi. 

Antes de você, conheci a dor e a delícia de muitos anos passados e me libertei de muita coisa que não quero que você saiba sobre mim. Não quero que você me veja fumando ou comendo carne e muito menos ficando ansiosa por problemas que nunca chegarão durante seu calendário. Nem nunca. 

Para te receber, aprendi a desapegar de coisas materiais e excessos e quando você chegar tenho apenas uma mala para despacharmos. Estou leve para que você me preencha com coisas que não faço ideia quais são, mas que sei que serão as necessárias.

Antes de você chegar tive um ano de muita mudança física, mental, espiritual. Mudei de casa, de cabelo, de país e de consciência e quando você bater a porta vou te receber sendo outra pessoa de quando 2015 veio, mas mais próxima do que nunca da minha verdadeira essência. Você terá orgulho de quem estou me tornando e espero que se apaixone por mim, pois eu, aprendi a me amar pra caralho. E nos seus primeiros segundos quero já te dizer de antemão que sou grata por tudo o que você ainda nem me trouxe. Porque definitivamente a gratidão foi o maior aprendizado que as visitas de anos anteriores deixaram. 

O ano que estava aqui antes de você não foi fácil pro meu país e pro meu mundo, por isso você vai ter uma bagunça pra lidar quando as festas acabarem, mas sei que você trará muita coragem praqueles que estiverem dispostos a fazer de você um ano e tanto. E eu estou. 

Sei que você será gentil se eu for gentil com você, sei que você será abundante se eu for abundante, sei que você será glorioso se eu estiver disposta a encarar algumas batalhas. E sei que você vai me premiar mesmo nas trincheiras em que eu sangrar e perder. Afinal a sua generosidade é infinita e confio que você me dará tudo o que eu pedir, por isso vou ter muito cuidado e carinho ao te pedir coisas. 

Teremos 365 dias, 4 estações e muitos fatos imprevisíveis para nos conhecermos melhor na alegria e na tristeza e por isso estou tranquila de fazer tudo com bastante calma. Teremos bastante tempo para tentarmos e errarmos na nossa convivência e fazermos dela a melhor possível. E sei sim que vamos nos detestar alguns dias, mas teremos tantos outros para fazer as pazes e lutar para termos um relacionamento saudável. 

Sei que você vai chegar devagar, dia a após dia e que cada minuto seu aqui será muito importante. Por isso espero aproveitar ao máximo todos os momentos da sua companhia e quando seu sucessor chegar, que você me deixe nos braços dele, um pouco melhor do que eu era quando nos conhecemos. 

Mas apesar de estar dizendo tudo isso, não tenho grandes expectativas não. Te amo muito sim, incondicionalmente, mas não espero nada de você. Deixei essa mania idiota de querer tudo e de controlar tudo lá com 2015. Por isso, acho que vamos nos dar muito bem. 

 

Atenciosamente, 

Carla Regina Cortegoso

Essas listas de blog de viagem

Todo mundo caga uma regra lascada do que você deve ou não fazer quando vai morar fora. Existem milhares de dicas sobre isso na vastidão da rede mundial de computadores e na opinião dos mais célebres desconhecidos. Os blogs de viagem mostram lugares maravilhosos e dicas de como desapegar do seu emprego estável e viajar o mundo apenas com sua iguana de estimação tirando fotos artísticas com uma polaroid da iguana vestida de heróis de guerra locais. 

Mas a coisa não é nada disso.

Morar fora é tipo ir a uma formatura open bar mas tem só você de convidado. Você vai sim ver coisas lindas, mas raramente vai ter alguém pra contar como era. Vão ter milhares de programas maravilhosos pra ir e aquele restaurante de comida de rua vegano que todo mundo ta indo tá em promoção, mas você precisa ser residente há mais de 320 anos e ter um postcode na cidade para pegar os 2 pounds de desconto e não vai ter ninguém para ir com você e ver se vale a pena essa merda. E não vai valer. 

Por isso se todo mundo pode dar umas dicas de viagem e não vai ser nada disso, eu também quero mandar aqui meu recado.

O que eu acho que realmente importa aprender antes de morar fora da sua cidade/país/planeta natal: 

 

  • Aprenda a cozinhar

Esqueça o idioma, não precisa ficar estudando (e se frustrando) enquanto estiver no Brasil, porque você vai invariavelmente aprender a se comunicar de algum jeito quando estiver vivendo fora. Aproveite o tempo até que você realmente parta, para aprender a cozinhar, isso vai ser fundamental na sua estadia. E aprenda a cozinhar 1) coisas que você gosta e feels like home 2) legumes - pois os ingredientes variam de país para país e no mercado dependendo de onde você vai morar, fica difícil entender o que é cada coisa, legumes não tem segredo, você olha e (na maioria das vezes) sabe  o que é uma beringela, abobrinha, tomate, etc e é saudável néam 3) molhos diversos para macarrão - pois a Itália botou a pasta no mundo todo e é barato e é gostoso e quase tudo vai bem com macarrão. Quem sabe você não aproveita pra começar a refletir na forma como você consome alimentos.  

  • Aprenda a meditar

Isso é tão desafiador quanto aprender uma nova língua e tão necessário quanto. E tão possível para qualquer um que esteja afim. Eu uso um aplicativo de celular o Sattva (baixa lá). Não importa como você quer fazer isso, mas faça. Um tempinho todo dia e isso fará uma diferença gigantesca. Muitas coisas vão perturbar sua cabeça longe de casa e meditar ajuda em todas elas. E de quebra isso ajuda na sua evolução como um todo. E principalmente te dará técnicas de como respirar, manter a calma e viver o presente. Qualquer lugar em que você vá morar, é muito importante que você habite totalmente a sua paz interior. Te juro, você vai precisar e não vai se arrepender. 

  • Aprenda a ficar sozinho

Reserve um tempo só para você enquanto estiver se preparando para mudar. Você vai passar bastante tempo sozinho quando sair de casa (mesmo que esteja mudando com alguém) e se não tiver nenhuma familiaridade com o assunto, vai querer voltar para seus amigos e família correndo. O mais importante aqui é gostar de ficar sozinho. Descubra o que você gosta de fazer quando não tem ninguém por perto e desenvolva esses hábitos. Ah e aprenda a ser independente também, o que vem naturalmente quando você se permite aprender a ficar sozinho. 

  • Aprenda a não ter expectativas

Quando você vai morar fora, tem certeza que sua vida vai mudar, que esse novo país é o melhor do mundo e que tudo vai ser incrível e que a Monalisa é gigantesca. Tudo mentira, mas se você não esperar nada de grandioso, tudo pode acontecer e vai ser realmente maravilhoso. Se você não espera nada, você se abre para todas as experiências infinitas e fantásticas que estão por aí. 

  • Aprenda a desapegar

De coisas, pessoas e hábitos. Para não vir com uma mala grande demais e um peso extra gigantesco, é necessário desapegar de diversas coisas antes de partir. Esteja leve para circular pelo mundo e isso fará uma grande diferença na sua experiência. Você vai, certamente, comprar coisas onde quer que vá e vai descobrir que metade do que você achou que não viveria sem, é absolutamente desnecessário fora de casa. A mala precisa ser pequena e ter espaço a ser preenchido e o coração também (de um jeito positivo). Não traga nada nem ninguém que você não ama profundamente. Quando estiver arrumando as malas segure a coisa e pergunte a si mesmo: isso me traz felicidade? Se a resposta for não, não leve, doe. Para de desapegar de pessoas o processo é um pouco diferente, mas a pergunta é a mesma.

  • Aprenda a não ter nojo

Fora de casa tudo é mais sujo e estranho, ainda mais se você vai dividir casa ou morar sem seus pais pela primeira vez. Então seus nojinhos vão ser esfregados na sua cara e se você não suporta banheiro imundo ou você se dispõe a limpar todos os dias a merda dos outros ou se adapta e segue a vida. O mesmo vale pra insetos, roedores e comidas. Sua mãe não estará com você para lavar alface com água sanitária. E se você for pra Europa, tem ratos everywhere, e se for pra China vai ter que tomar banho de boca fechada e comer coisas no mínimo enigmáticas.

  • Aprenda a escrever

Manter um diário, um lugar para narrar a experiência e exorcizar as dúvidas e solidões se faz muito necessário. Escrever é conversar consigo mesmo. Não precisa ser nada profissional ou poético, basta que seja do coração. Será sua companhia e sua maior ferramenta de autoconhecimento. Recomendo a absolutamente todo mundo, até quem odeia ou se acha péssimo. Descubra um jeito que funciona pra você: agenda, caderno, computador, tablet, celular, blog, tumblr, medium, pintura rupestre, whatever. A melhor hora para escrever é quando você acorda. 

Escreva de você para você mesmo e isso vai ser sua porta salva-vidas quando o Titanic estiver afundando, Rosie. 

  • Aprenda tudo o que puder sobre si mesmo

Ao invés de fazer uma busca detalhada do lugar em que você vai morar, se preocupe em descobrir quais são os bairros perigosos e os pontos turísticos do seu interior. A cidade vai se apresentar a você de um jeito ou de outro. Faça uma análise detalhada, uma planilha, junte fotos, relatos, o que quiser, sobre quem é você, do que você gosta, o que te irrita, o que te faz feliz, quais seus sonhos, quais os lugares que você quer conhecer, do que você tem medo e quais coisas da sua infância não ficaram resolvidas e qualquer lugar do mundo será maravilhoso a partir de então. E comece pela pergunta fundamental: estou indo morar fora pra fugir ou pra encontrar? 

  • Aprenda a perdoar

Muitas pessoas vão te decepcionar, não escrever, não ligar, seguir suas vidas e você precisa praticar o perdão o tempo todo. E quando você está num lugar novo muita gente nova vai fazer merda também. Mas principalmente aprenda a perdoar a si mesmo: por sentir saudades demais, por não sentir, por ter planejado uma coisa e acontecido outra, por não ter contado a grana direito, por ter odiado a cidade, por ter amado demais e não querer voltar nunca, por não dar atenção as pessoas, por se sentir sozinho, por fazer merda. 

  • Aprenda a aprender

Aprender é um processo demorado, dolorido e que exige muita disciplina, prática e foco. Morando fora você vai precisar aprender uma caralhada de coisa nova: uma nova cultura, novo idioma, novos códigos, e se for fazer um curso ou trabalhar, por exemplo, vai aprender qualquer coisa nova que seja. Nada fácil. Se você não estiver em paz com o processo de aprendizado tudo vai ser mais difícil. Tente se lembrar como você aprendia na escola, se estudava a noite ou de manhã, se gostava de aprender desenhando, escrevendo, falando em voz alta, ouvindo ou conversando. Descubra seus pontos fortes de aprendizado e use-os. E aprenda também a desaprender, pois você vai precisar esquecer muitas coisas que já achava que sabia.

  • Aprenda a ter coragem

Ter coragem é caminhar com medo. Morar fora vai fazer você ter muito medo. Saiba reconhecer quando você está com medo e saiba seguir em frente mesmo assim. Ter coragem é um exercício diário igual qualquer outro listado acima e que pode ser conquistado por qualquer pessoa disposta. Praticar coragem é realmente identificar se existe alguma ameaça real no momento ou se você só está pensando numa dor que não existe, numa opinião que não é a sua ou num momento em que não é esse. 

 

No mais, tenha um objetivo. Por mais questionável, esquisito, comum ou boring que seja, tenha um. Não precisa agradar aos outros, mas precisa fazer sentido para você. Sem um objetivo, um lugar para chegar, a jornada fica bem difusa. É fácil se perder e se frustrar e não existe pódio de chagada (ou beijo de namorada). Saber para onde você está indo é importante em qualquer viagem. 

 

Nóis

The Shared House

Here is my final piece for the Creative Writing course. 

I've been working so hard on this and I'm really proud of myself just because I made it.

The best lesson that I learned in this course is: don't get it right, get it written.

So, if you want to read my first fiction, my first text in English and a little bit of what I've been learning in London just click here

1 ano que mudou 29

Exatamente no dia de hoje, 1 ano atrás, eu acordava pela primeira vez sem despertador para ir trabalhar. Foram quase 10 anos como redatora > supervisora > coordenadora > ACD em criação em agências basicamente pequenas e/ou digitais. 

10 anos. 

Eu me lembro com muito carinho do primeiro livro que li sobre esse mercado há uns 15 anos atrás (que aliás continua sendo um livro de grande lição - Mais vale o que se aprende do que o que te ensinam, do Alex Periscinoto).

Consigo me lembrar, também com carinho, dos sonhos que tive sobre trabalhar em publicidade e propaganda. 

Muitos deles se realizaram, outro nem perto disso, outros que eu nem ousava sonhar aconteceram. 

Mas os sonhos mudaram no caminho. E tudo bem. Mudar de opinião é esperto, não mudar é que é burrice. 

E eu decidi sair daquele sonho - que naquela altura já era um pesadelo - e procurar o que eu queria sonhar em seguida. 

E sobre essa busca, tenho muitas coisas pra contar pra vocês, coisas tão legais que poderiam ajudar muita gente que está procurando realizar ou encontrar o próximo sonho. Ou o primeiro. 

Mudei tudinho nesse 1 ano: raspei cabelo, aprendi a meditar, mudei de país, estou tentando virar vegetariana, fiz cursos e li muitos livros, yoga, tatuagem, tive crise pra caralho, peguei freelas, abri um blog, aprendi a amar segundas-ferias, aprendi a amar a mim mesma, comecei a escrever um livro (que tá foda de continuar), me libertei do despertador, me libertei do sistema. 

E a coisa mais importante é que não faltou dinheiro. Nem trabalho. 

Aprendi a trabalhar não para mim e sim em mim. 

Para isso estou há 1 ano, desenvolvendo um processo tendo eu mesma como cobaia, para ajudar um pouquinho que seja, quem queira fazer o que eu fiz. Quais são seus prazeres, suas dúvidas, seus medos, seus gostos, seus sonhos? Quem é você? E descobrindo um pouquinho disso por dia, você pode começar a traçar uma mudança interior altamente focada nos resultados da sua vida exterior. É muito foda saber quem você é e ser isso. 

Estou escrevendo isso pra comemorar aquela mudança 1 ano atrás, comemorar que sim, sobrevivi e para dizer que talvez eu tenha encontrado meu próximo sonho: ajudar as pessoas a descobrirem seus sonhos. E falando isso aqui pra vocês eu me motivo a realmente botar o projeto pra rolar. Por agora posso dizer: aguardem. 

Não vai ser um caminho fácil, assim como não foi em agência, mas vai ser recompensador pra cacete, tenho certeza. 

Obrigada a todas as agências que eu passei. Obrigada a todos os bons e maus profissionais que eu encontrei. Obrigada aos amigos verdadeiros que eu fiz. Obrigada a minha família que é a maior estrutura fixa pra que eu possa mudar e errar e voltar. Obrigada a mim pela coragem da mudança estrutural.

No fim das contas, a viagem que vale a pena fazer na vida é a mais desafiadora e a mais bonita: a viagem pro nosso interior. 

A revolução de papel

Estamos passando por uma revolução gigantesca e um pouco atrapalhada. Como toda revolução é, suponho. E para mim, essa revolução se trata basicamente de questionar qual é o papel das coisas nas coisas. 

O papel da mulher, da gorda, da piada, da alimentação, dos e das trans, dos gays, das lésbicas, dos negros, do governo, da mídia, do capitalismo, da sociedade em si, do consumo, do trabalho, da escola, da família, do aborto, da legalização, da igreja, da internet, das marcas, das fronteiras, enfim - tentando ser ultra inclusiva - de tudo um tudo.

Apelidei essa revolução então, de revolução de papel, dá licença. Acho muito interessante olhar as coisas pelo viés evocativo de: qual o meu papel nisso tudo?

Isso é uma reflexão longa, dolorida e corajosa. Mas necessária num nível tão urgente que já não é mais possível ficarmos no papel de coitadinhos. 

É uma revolução recente - que na verdade vem malhada antes de eu nascer e que se repete com caras diferentes nesse gif animado chamado vida, mas que está atingindo um dos picos transitórios agora. O que me ajuda a cunhar (caralhos não pensei que cunhar pode se transformar num péssimo verbo se associado ao Cunha, tipo, ce tá sendo intolerante, homofóbico, transfóbico, ladrão, mau caráter etc, ce tá cunhando), anyway, tudo isso me ajuda a reforçar o termo revolução de papel, porque to pensando aqui que é aniversário de pouco tempo dessa união recente entre nossa reflexão e nosso poder argumentativo ca internet, coisas que estão dando cara à essa revolução. Que by the way, será sim televisionada, mas também será tuitada, mas principalmente sentida no interior de cada um, porque os papeis dos veículos estão mudando. Você é um veículo. 

Mas existe um grande efeito colateral indesejado dessa revolução neném: um monte de bosta saída das profundezas satânicas. 

Em momentos de revolução - absolutamente necessários pra evolução, veja, estou considerando que já sabemos disso -  a coisa fica toda emerdeada, e isso serve pra vida pessoal e de um país e um ou mais planetas, pois a vida pública-coletiva-intergalática é apenas um reflexo de cada interior de cada ser humano.

Eu sei que tem coisas acontecendo que reviram o estômago, os defuntos, os olhos. Mas é preciso revirar todo o entulho do quartinho da bagunça pra poder começar a limpeza. Quando limpamos o porão assustador da casa da minha vó uma vez, achamos uma caixa de baratas vivas, outra com coco de rato até a tampa e meu primeiro videogame: um atari velho que tava lá esquecido. Ou seja: melhor pior dia. É meio isso. 

A gente tá vendo notícias que parecem retrocesso, eu sei, mas eu sou uma Pollyanna de carteira e quero sim ver o lado positivo dessa palhaçada toda. 

E o que eu consegui pensar e sentir e escrever é que não, não é um retrocesso, é só o efeito colateral da mudança. A mudança de papeis. 

Quando a gente vê essas atrocidades, não podemos querer star morta, temos que querer estar vivão e viver isso tudo. E desempenhar nosso papel. 

O barato é loco e o processo é lento, mas a coisa ta andando pra frente ou pra algum lugar que a gente vai saber quando chegar (espero desesperadamente que não seja muito pra direita) porque o caminho que a gente tomar como humanidade é apenas o desejo da maioria. E a maioria é feita de cada pessoinha. Por isso, é muito importante que você entenda qual o seu papel individual. Ele que vai empurrar um pouco pra onde a gente vai como um todo. 

E toda vez que alguma coisa tá mudando de direção, a galera que tá, ou que acha que tá na frente (ou na direita, cof), a galera que ama o passado e que não vê, faz um esforço descomunal pra não perder a poli, o trono, o poder, porque eles tem medo de perder a vida deles com isso, o ego tem dessas manobras, E não existe nós e eles aliás, tamo tudo junto rapeize, sinto lhes informar. Invariavelmente a mudança vai acontecer, pro bem ou pro mal, porque o novo sempre vem. Advindo das coisas mais surreais possíveis. 

Roma ruiu sob a paz e a Alemanha se ergueu pela guerra, ou seja, a mudança não tem lógica, ela tem necessidades. Essa Alemanha aí que foi palco de uns dos maiores terrores que a humanidade já viu, hoje é um dos países que está puxando a nova sociedade baseada na colaboração e pode mudar a cara do nosso capitalismo e consequentemente de quase tudo (amém). O lance é: pra ter mudança, precisa ter merda e precisa ser muita merda e precisa feder muito, porque senão a gente deixa pra limpar depois. 

Não estou querendo dizer: ah ainda bem que tivemos o nazismo, então, e que estamos matando nossos semelhantes ainda hoje só por ser diferente, claro que não porra, mas isso aconteceu e está acontecendo e eu prefiro acreditar que é por alguma razão: não podemos mudar o passado mas podemos ressignifica-lo. E tá na hora. 

A oportunidade que a treva traz é única. Estamos podendo acessar toda a nossa podridão, escuridão, maldade, fanatismo, fobias, e tudo de ruim que pensamos e fazemos. E isso é o maior gatilho de mudança interno e logo, externo que existe. 

Só quando colocamos luz no canto mais escuro e fedorento é que podemos pegar um pano, uma cândida, tampar o nariz e limpar essa caralha. Onde tem luz tem menos medo, mas onde tem escuro tem as respostas. Tem liberdade. Quando você entende o movimento sórdido que está por trás de um comportamento, você pode mudar o sentimento.  

Olhar nossa sombra faz com a gente consiga acessar o porque exato de causamos tanto mal ao outro. Tá tudo dentro da gente, guardado em algum trauma, algum passado distante, alguma lembrança sofrida, alguma má interpretação. Algum abuso, vingança. E estamos tendo a oportunidade de olharmos escancaradamente isso em um nível coletivo. 

Tudo o que se expõe, se mostra pra se juntar ao que pertence e seguir o seu caminho. E meio que tudo que existe tende a seguir o caminho da luz. Parece um movimento bem normal e intuitivo do universo. 

Pensa: a gente tarra num porão, a porta abriu e a gente tá correno. Desamparados atrás da nossa galera. Ódio vai andar com ódio, amor vai andar com amor. E eventualmente eles vão se esbarrar e vai dar merda. Mas quando a gente entender que amor e ódio é tudo habitante do mesmo lugar procurando a luz - amor mais perto, ódio mais longe - a gente pode ajudar uns aos outros. 

É importante nesse momento que o amor não queira usar do ódio pra se fazer entender. Amor anda com perdão, consciência, gratidão, livre arbítrio e aceitação. Quem pegar o papel pra limpar não pode julgar a merda. Julgamento anda com ódio. Amor perdoa quem não sabe o que ta cagando pela boca. Você está engrossando a galera do amor ou do ódio? 

Okay, pra concluir o textão, só queria dizer que eu acho que o papel da revolução no final de tudo é fazer com que cada um olhe o que repudia em volta e depois para si mesmo e pense: qual meu papel nessa merda toda que ta acontecendo?

Opção a) papel higiênico

Opção b) papel de trouxa

Cada um tem um papel a desempenhar. Limpar ou sujar? Fazer papelão ou cartaz? Papel principal ou coadjuvante? E você pode escolher. Its up to you baby e não tem papel certo ou errado, tem consequências.

 

Miss solidão

A solidão tem sido minha grande companheira de viagem. E eu tava ignorando ela, e de repente me dei conta, que era muito pior fingir que ela não veio comigo, porque ela é chata pra caralho quando é ignorada. Parece um poodle invisível pedindo atenção o tempo todo. 

Quando aceitei que a gente tá viajando juntas mesmo, só eu e ela, decidi levá-la então pra conhecer Londres direito, essa cidade interessantíssima e cheia de atrações para solidões, afinal muita gente traz pra cá, ou conhece aqui mesmo. A minha solidão não está sozinha aqui. 

Levei ela na London Eye (a noite porque é muito mais bonita, de dia é só um monte de ferro) e contei rindo, a primeira vez que eu vi o Big Ben sem querer, completamente bêbada num taxi (um minicab-preto-retrô-lindo). Foi aquele soco no queixo de viagem, sabe? Aquela sensação única que dá ao ver uma coisa que você passou a vida vendo só em foto. Foi bom dividir essa sensação com alguém. 

Levei a solidão pros lugares que eu mais amo aqui e que só levaria quem eu amo também: o Regent’s Park, a Waterstones da Picadilly (5 andares de livros e mais livros - solidão ficou até meio de lado lá, nem lembrei que ela tava comigo), a Igreja de St. James, onde a Giu foi atropelada pela bike e desde então é um santuário de gratidão aos momentos difíceis, pois eles são oportunidades de grandes lições. Ensinei à solidão então, que a mão dos carros aqui é diferente da nossa e que por via das dúvidas, melhor olhar 3 vezes pra cada lado. O Tate Modern, ah o Tate Modern, levei a solidão pra ficar comigo calada só estando lá e depois fomos ver aquela vista estupidamente linda do café lá em cima. Ela consegue lugar fácil pra sentar, sempre. E lá em baixo, ficamos só andando pela Jubilee Walk, eu amo caminhar nas margens do Thames, ela andou do meu lado, apreciando cada ponte diferente que passava, em especial Tower Bridge que é maravilhosa. 

Levei a solidão comigo pra Library aqui perto de casa, lugar que eu vou toda semana e que me faz sentir parte do bairro e da cidade, só porque tenho carteirinha, ando por lá toda orgulhosa. Depois fomos comer a pizza do Domino’s que fica do lado e que foi a primeira coisa que eu comi quando cheguei aqui em Londres e até hoje continua sendo minha comida preferida, vai entender. A solidão entendeu e comeu comigo. 

Gosto mesmo de andar com ela de metrô, as vezes vamos só de um lado pro outro, sem destino. Contei pra ela tudo o que eu vi no documentário sobre a mega construção inovadora e fodástica que é o metrô daqui. É muito bom ter com quem conversar.

Ela começou a acompanhar comigo Call the Midwife, que é uma série maravilhosa e que tem sido uma ótima companhia também. Desde How I Met Your Mother que a gente não assistia uma série juntas. Não tenho coragem de ver Breaking Bad só com ela, não. 

Fomos eu e ela outro dia num pub que tocava música ao vivo e ficamos chapadas. Ela é ótima quando bebe. No dia seguinte é chata que nem a ressaca. 

Levei a solidão pro bairro do Sherlock e quero levar ela pra ver a plataforma 3/4 do Harry Potter e a Abbey Road que ainda não fui. Vamos tirar a foto clássica dos Beatles atravessando a rua. Somos as Fab Two. 

Fizemos planos, eu e ela, de irmos pra Stonehenge e Liverpool e decidimos juntas que isso precisa acontecer logo, porque já estamos ficando cansadas uma da outra e precisamos ver coisas novas. Fizemos também uma lista de museus de graça, porque ela adora arte e eu nem lembrava. 

Estou querendo levar ela pra balada, todo final de semana escolho umas 5 e ela não quer ir em nenhuma. Eu amo dançar, ela é toda dura. Mas ainda vou ensinar ela a se soltar. 

Desde que o rato e o cara esquisito chegaram aqui em casa eu estou com um pouco de medo. E ela tem uma capacidade incrível de atrair gente esquisita. Mó para-raio de maluco. Nessas horas é ruim sermos só nos duas. Mas damos conta. Ela me encorajou, disse que sou muito capaz de enfrentar essas situações, e que ela vai estar comigo sempre precisar. Estou aprendendo a ser corajosa pela gente. Mas nem eu nem ela temos coragem de matar o ratinho, acho que ele vai ficar com a gente. 

Mas sexta-feira fomos pra Convent Garden, eu tava afinzona de sair, me divertir. Ela não. Ela não quis entrar em nenhum pub, nem fazer amizades. E não me deixou entrar também. Parávamos na porta de um pub e ela me travava. Andamos toda West End, e não paramos em lugar nenhum. No fim compramos uma Guiness no mercadinho e fumamos um cigarro na calçada, ficou aquele silêncio esquisito. Fiquei com raiva dela esse dia. Voltamos pra casa, eu frustrada, ela gritando. Fui dormir e ela continuou fazendo barulho, a filha da puta. Não me deixou nem dormir direito. 

Ultimamente ela não tem me deixado escrever. Tem dias que ela atrapalha mesmo. E ela não é muito de falar inglês, prefere português e eu to querendo muito praticar, sabe? Mas ela insiste em ficar falando português e várias bostas. 

Agora ela tá até se tornando uma boa companheira, tá arriscando umas conversas e uns conselhos em inglês. Hoje ela fez uma playlist no Spotify das músicas no estilo dela e curtimos juntas. Foi um ótimo momento só nosso. 

A verdade é que na imensa maioria das vezes eu realmente prefiro estar com ela e mais ninguém. Ela me deixa fazer tudo o que eu quero, me deixa livre mesmo. Ela me entende. Ela tem aquele jeito só dela, de aceitar tudo o que eu sou. De amar quem eu sou. Coisa de amiga de infância. 

Não tenho muita vontade de ligar para os amigos de amigos que a galera me recomendou aqui, eu sei que eu deveria, mas acho que essa trip é minha e da solidão mesmo. 

E nós ainda vamos seguir viagem e passar bastante tempo juntas.. É bom que a gente aprenda mesmo a conviver. Quando estamos mal uma com a outra é uma grande merda, quando estamos bem é uma maravilha sem tamanho. Acho que toda amizade é assim mesmo. 

Agora ela deu pra querer ser chamada de solitude, viu essa palavra num livro do Tillich e disse que eu trouxe ela porque quis, que ela não se convidou, eu que chamei e insisti pra que ela viesse e que então não é solidão não, é solitude. Não é a dor de estar com ela e sim a glória de estar com ela. Vamos ver se o apelido pega. 

Eu não trouxe cigarro

Quando eu decidi morar em Londres, todo mundo fez (inclusive eu mesma, no espelho) uma cara torta de que eu estava maluca de ir com a libra nas alturas.

E realmente, quando eu levei todo real de uma vida na casa de câmbio e sai com parcos pounds, eu fiquei malzona. 

E 5 a cada 4 pessoas me alertaram: compra cigarro no free shop que esse negócio nazoropa custa uma pequena fortuna. Todos tinham razão.

Mas eu não comprei.

Como disse minha irmã “você merece fumar cigarro enrolado no seu papel de trouxa”. Risos. 

Mas eu tava tão ansiosa para entrar no país, que o aeroporto era um lugar assustador e não um shopping. 

Eu trouxe 1 maço brasileiro meio fumado e um tabaco sem nenhum filtro e uma seda horrível.

Eu fumo, em média, 1 maço a cada dois dias. E 1 inteiro numa balada ou quando bebo. Ou quando estou ansiosa. 

Fiz várias baladas aqui.

E o pint de breja, ao contrário do cigarro, é muito barato. 

E mudança sempre dá aquela ansiedade.

Ou seja, fumei o dobro do que costumo fumar. 

Maaaaaas, estou em Londres há 1 semana e comprei apenas 1 maço. E sequer fumei meu tabaco. 

Aqui o maço custa 8 pounds a 6 reais cada poudzinho. Ou seja: 1 maço = 48 dilmas. 

Faça as contas e verás que eu fumei muito mais do que paguei pra fumar. 

Isso claramente não é uma apologia ao cigarro, meu ponto aqui é bem outro.

O que quero dizer pra vocês amgs, é que eu também não trouxe travesseiro nem lençol, porque minha meta era vir com uma mochila de 55l nas costas. E vim.

Tá, você ainda não deve ter entendido aonde quero chegar.

O caminho que estou trilhando aqui é o de que o dinheiro é uma coisa que não existe. Isso mesmo, pasmem, dinheiro não existe. Antigamente era necessário que houvesse a mesma quantia em ouro do que existe em papel ou moeda num país. Hoje em dia a impressora de dinheiro do mundo tá descontroladona e o homem que copiava tá mandando ver na quantia que rola por aí.

Se o dinheiro não existe mais em ouro, ou seja, não tem lastro, porque caralhos eu devo me preocupar em ter a quantia exata que eu preciso para comprar as coisas que quero?

Não cabe ouro na mochila de 55l. 

O dinheiro está sendo criado em algum lugar, certo? Que esse lugar então, seja minha vidinha. 

Um travesseiro desconfortável custa 50 pounds. Faça as contas aí porque eu sou péssima nisso. 

Na primeira noite que estava aqui, apareceu um travesseiro na minha cama. Dormi nele como um anjo cheio de jet leg. 

Passei 2 noites fora de casa e quando voltei, minha cama estava milagrosamente arrumada (arrumada, juro) com lençol, fronha, 2 (DOIS) travesseiros e um cobertor bem quentinho. E faz frio nessa cidade, viu. E eu nunca disse pra ninguém que não tinha nada disso. Mais tarde descobri que até meu colchão era novíssimo, porque alguém tinha acabado de comprar e não usou. 

Nessas duas noites fora, inclusive, fumei 2 maços de cigarro cheios e vários soltos. Sem por a mão no bolso sequer pra pegar o isqueiro. 

Nessas mesmas duas incríveis noites, achei 1 guarda-chuvas (essencial em Londres), um Ray Ban bem colorido (essencial para mim) e um iPhone 5 novinho - que aliás, foi too much e não sei como devolver ao dono, se alguém tiver alguma ideia prfv comenta aí. 

Tudo isso em um festival cujo qual ganhei ingresso de um grande novo amigo que eu não conhecia, quando eu ainda estava no Brasil. 

Você deve estar se perguntando como, certo?

Mas meu caro, a pergunta que você está se fazendo é errada. 

A pergunta certa que você deve se fazer todos os dias é: como eu posso ajudar o universo e como ele pode me ajudar? 

Dinheiro é troca, oportunidade, bom humor, sorriso, amor e pensamento positivo. 

Se dinheiro pode ser criado, que tal criarmos um pouco, só pra variar. 

Os alquimistas estão chegando. Estão chegando os alquimistas. 

Eu não trouxe cigarros, nem roupa de cama. E obviamente, nem colchão. 

Não me faltou nada disso. Até sobrou (alguma ideia pra devolver o iPhone aí pleeease). 

O dinheiro não tem lastro e eu tenho muita fé. 

Peça e milagrosamente (eu juro), receberás.

Os mais céticos vão dizer que é pura sorte, mas sorte é somente a língua que o Universo usa para se comunicar com quem fala com ele numa vibe boa. O contrário vale para o azar. Vim pra Londres aprender essa língua aí, porque inglês tá foda. 

Ao invés de passar horas, dias e muitos anos da sua vida se preocupando com dinheiro para comprar as coisas, que tal se preocupar com o que você pode oferecer ao mundo. 

Quanto mais você pensa que vai faltar, mais você guarda para você, menos você troca com o mundo, mais falta. 

Quanto mais você conta dinheiro, menos conta histórias. 

Não pense no dinheiro como um vilão com planos malignos para te foder e sim como um herói a seu serviço. Daqueles que basta botar um sinal de luz com cifrão no céu que ele vem te salvar. 

Mas não adianta só pedir, claro. É preciso oferecer, mesmo quando não tiver. Ofereça qualquer coisa. Assim como me deram coisas. Ofereça um bom dia, um cobertor, um prato de comida, um carro, uma casa de campo. Deixe a conta sempre azul. 

Dê em abundância aquilo que você quer ganhar.

E quando você mais precisar, pode sacar em qualquer caixa 24h, porque as coisas vão aparecer como num milagre. 

Amém.

Com licença que eu vou fumar um cigarro e tomar um café com uma nutella que eu também ganhei de uma incrível mãe brasileira que estava de passagem pela casa. 

Casa essa, que também foi a única que eu vi antes de me atirar na terra da rainha e que caiu no meu colo sendo a mais barata de todo UK so far. E ótima. E pertinho do maravilhoso tube londrino. 

Aliás, quero mandar um beijo gigante aí pra todo mundo que me deu todas essas coisas. Pagarei com juros em gratidão e em coisas que eu puder.

Precisando de dinheiro é só falar. Falar com o universo. 

...

O Ministério da Saúde adverte: fumar e se preocupar com a falta de dinheiro é prejudicial à saúde e pode matar.

Pai

O melhor pai que alguém pode ter, é aquele que essa pessoa tem.

Superprotetor, filho da puta, amável, carinhoso, silencioso, repressor, pai solteiro, vivo ou morto.

Não importa como seja seu pai, ele é exatamente tudo o que você precisa para evoluir.

E vice-versa.

Vocês se escolheram.

Tudo o que vocês passaram juntos, separados, brigados ou grudados é o que formou seu ser. Único. 

Ele te deu amor infinito e/ou dores crônicas. 

Traumas que eram dele e você assimilou. 

Qualidades maravilhosas que você herdou. 

Que só ele tem.

Que só ele não tem.

O criador, benevolente e que pune. 

A figura temida, o masculino. 

Alguém a quem sempre se provar, impressionar, contrariar. 

E não importa de que forma, ele te deu tudo o que podia. Se não deu mais, não pode. Se deu tudo, podia. 

E você teve absolutamente o que era necessário ou merecido. Pode apostar. 

Graças a ele, que a graça da vida - essa chance única de experimentar as coisas desse mundo - se abençoa e se estende sobre você. 

E o melhor presente que você pode dar ao seu pai é a gratidão por isso. 

A gratidão eterna e plena, que abraça o bom e o ruim.

A gratidão pela existência de tudo como você conhece. 

Amar ou odiar um pai é, em certo ponto, fácil. 

Difícil é ser realmente grato. 

Seu pai, em uma combinação exclusiva com a sua mãe, te colocaram aqui e agora. 

E você não precisa seguir todos os passos dele, os conselhos, os dogmas, as verdades, e as vontades. Repito: não precisa. 

Precisa apenas seguir seu caminho. Seu propósito. Sua jornada. Com seus próprios pés e seu próprio pai. 

Não importa aonde seu pai esteja, mesmo que almoçando ao eu lado agora ou muito muito distante, ele está em você o tempo todo. Converse com ele olhando desse ponto, de dentro. 

E hoje, ou no tempo que você precisar, dê ao seu pai a gratidão verdadeira.

A mais bonita da sua prateleira. 

Embrulhada numa caixa bem grande, escolhida a dedo, com um laço bem feito, envolta em plástico bolha pra nunca se quebrar. Com um bilhete desenrolando a extensa lista de agradecimentos. 

Entregue pelo correio, pessoalmente, via whatsapp, facebook ou oração. 

Diga: pai, eu sou grato pela vida que você me deu, e em homenagem a isso eu sigo em frente - frase roubada da Patrícia Valente, astróloga do meu pai. 

Se organizar, todo mundo transa

Tá cheio de gente no mundo, galera.

7 bilhões de pessoas, dizem por aí.

Se dividirmos apenas em homens e mulheres (o que seria uma grande bobagem, mas vou usar isso apenas como recurso), temos um panorama geral bem equilibrado.

E vamos falar de coisas superficiais e banais aqui, ok (como o sexo, aquele movimento que move o mundo pra frente, nada demais). Não é sério, nada grave, não é sobre a misoginia, miséria, as guerras, a fome e sim sobre comer.

Meu ponto?

Se olharmos a quantidade de zeros que temos na população e a quantidade de vezes que você, meu amigo e minha amiga, faz sexo por mês, certamente alguma coisa não está batendo, a não ser punheta.

Eu tenho uma porrada de amigos bem legais, bonitos, interessantes, inteligentes, divertidos, todos os dentes na boca (e mesmo que não tivessem isso não significa nada) e mais uma cacetada de amigas maravilhosas, lindíssimas cada uma de seu jeito, tem loira, tem peito, tem gorda, tem calada, tem arisca, tem olho verde, preto e até vesgo (essa sou eu).

E todos e todas, a cada cerveja no bar, se queixam sem parar que não acham ninguém legal, ninguém leal, que homem isso, que mulher aquilo, que o cara sumiu, que o boy não ligou, que a mina enlouqueceu, que já faz 1 ano que não transam. Pasmem, 1 ano. Tá foda ter uma foda.

O que está acontecendo, então? 

=/

Vamos relevar as inseguranças e os medos e pensar que tudo isso é apenas falta de organização. 

Acompanhem comigo. 

Se todo esse mundo fosse dividido em um excel com nome, whatsapp, alguns dados e a disponibilidade de dia/hora, opções de encontro, sei lá, um Facebook sem opinião (imaginem que lugar mágico, imagine all the people) controlado por um bom software resolveria a porra toda.

Como isso não vai estar sendo possível, sugiro que as pessoas comecem a - pausa dramática - conversarem. 

Os homens devem estar achando que as mulheres não querem transar e as mulheres tão louquinhas pra dar. Os gays também, os mano, as mina, até minha mãe se pá. 

E certamente para cada vontade de dar tem uma vontade de comer (ou mais).

Então proponho que você arrume um jeito de avisar a parcela da população que te interessa que você tá afinzão de uma boa noite de sexo.

Ou de amor.

Ou de Netflix. 

Ou de vinho.

Ou de conversa.

Ou de BDSM.

Ou de sexting.

Ou de friendzone.

Sei lá, se falem, ajeitem essa bagunça.

Paremos de mimimi, de se fazer, de se esconder, de ter medinho, de ter recato, recalque, ciúme, vergonha, machismo. 

Põe numa listinha quem você pegaria (vide a minha: todo mundo) e vai mandando aquele alô. 

Se pegou e não curtiu, avisa azamiga, se só quer transar vale o ex, avisa ele que é só sexo e pizza e se joga. Quem não quer transar com intimidade? Se não tá rolando de jeito nenhum pede pros brothers mais chegados, baixa app e avisa: aqui tem alguém querendo dar uma, duas, sei lá. Coloca no status do whatsapp, do face, reddit ou que caralhos você costuma usar pra se comunicar. Só sei que não tá usando em toda sua magnitude. 

O medo do que os outros vão pensar só tem causado falto de sexo. 

Resolvendo isso, todo mundo sai ganhando. 

E se não quiser também, só avisar, deixar claro. Colocar geral no banho maria, também não tá aumentando a estatística. 

Chama os amigos, conhecidos, desconhecidos, galera do trabalho pro rolê. Chama todo mundo que o coro vai comê. 

Porque se organizar, todo mundo transa. 

Tenta. 

O que aprendi com relacionamentos

Para começar antes de mais nada, é preciso se conhecer o mais profundo que você puder chegar. E quando achar que chegou, vá mais fundo. Se não estiver disposto a isso, não continue lendo. 

Cada encontro de duas pessoas é como química e existem combinações básicas: as neutras, as explosivas, as corrosivas e as construtivas. Identifique o quanto antes em qual tipo você está. Isso te dará poder de escolha.

O tipo de relacionamento se estabelece no primeiro mês, a dinâmica, a frequência, o tipo do sexo, de carinho, das conversas e das brigas. Se você quer algo oposto do que encontrou no primeiro mês, poupe o restante dos meses. Poupe o outro, poupe a si mesmo. 

Quando o outro não está (mais) afim, os sinais são bem claros. Apenas não queremos ver. Olhe com minúcia e coragem para os sinais e eles nunca mais serão uma fonte de rejeição. 

Tem pessoas que simplesmente não querem estar (mais) com a gente, por motivos individuais muito simples ou muito complicados. Em ambos os casos não leve para o pessoal. Não é que você não seja bom o suficiente, não caia na armadilha de pensar isso, é que vocês não serão bons juntos. 

Todos os relacionamentos começam por algum motivo, a maioria infelizmente negativo: medo, insegurança, baixa auto-estima, carência, obrigação. O importante é identificar em você, antes de esperar que o outro o reverta. Só assim os bons motivos terão terreno.

Essa história de que é preciso amar a si mesmo antes de amar alguém é muito bonita na teoria. Na prática somos seres que não se amam como são, porque queremos ser perfeitos. Só amamos o que é perfeito. Você precisa antes de tudo aceitar quem você é, com todas as suas falhas. 

Aceite o outro como ele é, com todas as falhas. Quando você faz isso, coisas mágicas acontecem, inclusive o outro querer ser melhor. Inclusive vale o mesmo para você. 

Exponha suas falhas, é muito melhor do que enaltecer suas forças. Quando percebemos as falhas um no outro, deixamos de querer ser perfeitos. 

Cada pessoa começa um relacionamento carregando as marcas de todos os anteriores. 

Não use as feridas passadas como desculpa, não se vingue em um inocente o mal de outro culpado. Não use a felicidade como desculpa tampouco. Não procure virtudes passadas em pessoas presentes. 

Use os relacionamentos anteriores apenas como escola. Na qual você já se graduou. 

Quando o relacionamento é um jogo, não há vencedor. 

Se você espera que o relacionamento seja de um jeito, comece dentro de você. O que você faz, reflete no que o outro fará. Para o bem e para o mal. 

Quando errar, peça desculpas. Quando acertar, não peça recompensa. Assim ela virá. 

Perdoe. 

Se perdoe. 

O tempo todo. 

A empatia é o sentimento mais importante em um relacionamento. Quando você é capaz, genuinamente, de se colocar no lugar do outro tudo passa a fazer sentido. 

Mulheres e homens são diferentes. Custei a aceitar essa parte em especial. Mas existem coisas biológicas e evolutivas que nos fazem diferentes. Portanto, basta exercitarmos a empatia. E toda pessoa é diferente de qualquer forma. 

Brigar muito é sinal de que algo vai mal.

Não brigar nunca também.

Todos os grandes problemas de relacionamento começaram pequenos. Preste atenção aos detalhes, eles estão por toda parte. É preciso muito menos esforço para ajeitar um barulhinho no motor do que um motor fundido. 

Nunca espere que o outro faça o que está apenas na sua cabeça. 

Ciúme não é prova de amor.

Sexo, abraço e beijo liberam oxitocina e vasopressina, os chamados hormônios do amor. Pratique. 

Use todos os seus sentidos: audição, olfato, tato, paladar e visão. Eles são poderosos recursos para começar um relacionamento, manter e para saber quando terminar também. 

Se você acha que nunca mandaria uma carta de amor, faça. A única coisa no mundo que te impede de demonstrar amor é o medo. Seja corajoso. 

Não exija carta de amor em troca. Se for para ela chegar, o correio entrega. 

Não se complete apenas com o outro. Essa conta nunca fecha. Não tente sozinho também, é muito difícil e as vezes frustrante. Esteja sempre cercado de quem você ama. 

Se ame. 

Nada nem ninguém está sob o seu controle. Exceto você mesmo. Desapegue agora do controle ao externo e assuma imediatamente o seu controle interno. 

Quando você se preocupa demais com o outro, está desconsiderando ele como ser humano capaz de escolher, sentir e agir. Trate o outro como alguém capaz de guiar a própria vida, mesmo que seja para o buraco. Não quer dizer que você vai empurrá-lo até lá, mas você saberá que ele está indo porque quer. 

Use toda a exigência que você tem com o outro para si próprio. 

Não seja tão exigente. 

Existem diversas formas de falar. Acredite é possível dizer tudo, absolutamente tudo de um jeito positivo. 

Seja verdadeiro, com você primeiro, com o outro depois. Nessa ordem. 

Quando não souber o que quer, procure descobrir por si só. Ninguém pode te dizer o que querer. E ninguém deve viver sua dúvida também, causa-la em alguém não é a luz no seu caminho. Na dúvida, exponha sua dúvida. 

Todos os relacionamentos chegarão ao fim um dia. 

Alguns permanecerão vivos no dia seguinte. Existem milhares de finais simbólicos. 

Use-os para recomeçar mudando o que você gostaria, aprendendo o que você precisa e fazendo o que você não fez.

Quando for o final definitivo, você saberá. Sinta. Aceite. 

Quando aceitar, termine. 

As pessoas não terminam por puro medo: de causar dor em alguém ou de causar a própria dor. Sinto lhe informar que não terminar nesses casos é a pior dor que você pode sentir. 

Toda dor emocional crônica é causada pela imaginação. A nossa imaginação sobre o que o outro sente, pensa, faz é como câncer. Os fatos, por piores que sejam, são apenas uma topada com o dedinho na quina da cama. Dói duma vez, mas passa. Prefira sempre a topada ao câncer. 

Desapegue. Pessoas precisam partir das nossas vidas para que alguns sentimentos cheguem. Bons ou ruins, você precisa senti-los na totalidade. Só vive de verdade quem já sofreu e já sorriu. 

Não se culpe pela tristeza do outro, nem credite a você mesmo a felicidade absoluta dele. Pretensão vicia e pode matar. 

Separe você do outro, principalmente quando estiverem juntos e especialmente quando não estiverem mais. 

Não seja bundão, nem cuzão e nem fique com a bunda sempre no sofá. Faça o bem, não se acomode e tenha coragem. Se relacionar é acima de tudo uma série de exercícios de glúteos. 

Se não lembrar de nada disso, afinal escrevi pra caralho, queria que a gente pudesse se lembrar apenas da única, a verdadeira, a derradeira fórmula para relacionamentos serem saudáveis: a comunicação. 

Se escute. 

Escute. 

Fale.

De verdade.