Esses Laços

Desembaraço 

os nós de tempo 

e espaço

que se sobrepoem

uns aos outros

quando nesses encontros. 

Descasco as camadas

uma a uma

com mãos trêmulas 

de café em excesso.

Mergulho nos mistérios 

escondidos no buraco negro 

do sofá que engole isqueiros.

Afasto com um aceno

a densa fumaça 

de haxixe e tabaco

e remexo 

nas tramas da vida.

Faço magia antiga

com as palavras

e sofro em silêncio 

no fim de cada verso.  

Empurro os véus

que encobrem 

nossas vistas cansadas

de repente. 

Medito

por entre

os vãos livres 

dessa jornada,

respirando o ar 

cheio de gente. 

Toco o amor eterno

com a ponta dos dedos 

enfrento meus medos

de cara lavada 

de lágrimas.

Retiro 

as máscaras

que me protegem

e mostro

a fratura exposta. 

Misturo o real

ao ilusório

com uma colher

grande demais

em um corpo 

ainda raso.

Não me conformo,

quero meter 

o bedelho

aonde fui chamada.

Toco as campainhas

das portas entreabertas

e das trancadas,

corro como criança

rindo da minha desgraça.

Brinco nesse parque

e descanso 

enrolando minhas histórias

nos seus cabelos lisos.

Me mudo 

para as lembranças

na esperança 

de que lá more a verdade.

Conservo os fatos

em potes 

e metáforas

no bloco de notas

num banco de praça. 

Estendo a mão 

a quem passa

e sigo guiada  

por fios invisíveis

a cada esquina. 

Se me encontrar

abanando os braços

no meio do caminho

saiba que sou

maestrina. 

Toco e 

me embaraço

nos nós

que existem

entre nós

e crio outros.

Orquestro 

um novo 

universo e

num abraço

me despeço 

e despedaço

quando nesses 

desencontros.