Olar

E ai, tudo bem? Já faz algum tempo, né? Como tem passado? Eu vou presente. Cada dia de cada vez. 

Não sei o que dizer para retomar nosso assunto há muito visualizado. Tanta coisa aconteceu desde então. 

Deixe eu me reapresentar: eu sou. Não vem nada depois disso. Nem nome, nem profissão, nem idade, nem estado civil. Nada que importe mais do que ser. 

Ser é um estado puro que já nasce com a gente, mas a gente esquece com o tempo. Esquece tentando fazer ou ter ou parecer. A gente esquece de ser criança inocente. A gente esquece que sempre fomos, mesmo sem falar ou andar ou trabalhar. 

Acontece que a sociedade contou várias histórias pra gente dormir, sabe? Fez a gente parar de sonhar. 

E aí, e repente, é como seu eu tivesse acordado desse longo pesadelo e despertado para quem eu realmente sou. Lembrei daquela criança e também da alma velha. Mas o pesadelo tinha sido tão profundo, que ainda estou cambaleando pra sair da cama. O pesadelo: minha própria realidade. A gente se acostuma a viver em cenários surreais e acredita que isso é a vida. Não é. Dá pra acordar além disso. 

Queria achar palavras melhores pra construir as metáforas certas. Acho que isso é uma aflição de todo mundo quando tenta se expressar: quais as melhores palavras para descrever? É uma escolha, um abandono de todo o resto que poderia ser usado. 

Não tenho resposta ainda, acho que a coisa vai tomando forma enquanto escrevo. Sempre achei que as palavras tem vida própria e eu sou só um veículo. E é por isso que estou aqui, retomando nosso papo, para deixar a palavra sair. E a interpretação cabe a você. 

Acho que eu sou um reflexo de um mundo que está mudando apesar de mim. Sou apenas uma parte de um todo. Eu e você, somos o todo. E esse todo está cansado, não está? O pesadelo coletivo já não tem feito mais sentido. E talvez essa seja uma boa hora pra abrir os olhos. 

A gente veio cada um com um despertador interno, que vai impreterivelmente soar sem snooze e dizer: acorda pra vida. Pode demorar diversas existências, mas vai acontecer. E eu te digo tudo isso, pra quem sabe, soar o seu alarme agora. Porque você também é. 

Estava com saudades. Manda notícias. Te amo.