O que aprendi com relacionamentos

Para começar antes de mais nada, é preciso se conhecer o mais profundo que você puder chegar. E quando achar que chegou, vá mais fundo. Se não estiver disposto a isso, não continue lendo. 

Cada encontro de duas pessoas é como química e existem combinações básicas: as neutras, as explosivas, as corrosivas e as construtivas. Identifique o quanto antes em qual tipo você está. Isso te dará poder de escolha.

O tipo de relacionamento se estabelece no primeiro mês, a dinâmica, a frequência, o tipo do sexo, de carinho, das conversas e das brigas. Se você quer algo oposto do que encontrou no primeiro mês, poupe o restante dos meses. Poupe o outro, poupe a si mesmo. 

Quando o outro não está (mais) afim, os sinais são bem claros. Apenas não queremos ver. Olhe com minúcia e coragem para os sinais e eles nunca mais serão uma fonte de rejeição. 

Tem pessoas que simplesmente não querem estar (mais) com a gente, por motivos individuais muito simples ou muito complicados. Em ambos os casos não leve para o pessoal. Não é que você não seja bom o suficiente, não caia na armadilha de pensar isso, é que vocês não serão bons juntos. 

Todos os relacionamentos começam por algum motivo, a maioria infelizmente negativo: medo, insegurança, baixa auto-estima, carência, obrigação. O importante é identificar em você, antes de esperar que o outro o reverta. Só assim os bons motivos terão terreno.

Essa história de que é preciso amar a si mesmo antes de amar alguém é muito bonita na teoria. Na prática somos seres que não se amam como são, porque queremos ser perfeitos. Só amamos o que é perfeito. Você precisa antes de tudo aceitar quem você é, com todas as suas falhas. 

Aceite o outro como ele é, com todas as falhas. Quando você faz isso, coisas mágicas acontecem, inclusive o outro querer ser melhor. Inclusive vale o mesmo para você. 

Exponha suas falhas, é muito melhor do que enaltecer suas forças. Quando percebemos as falhas um no outro, deixamos de querer ser perfeitos. 

Cada pessoa começa um relacionamento carregando as marcas de todos os anteriores. 

Não use as feridas passadas como desculpa, não se vingue em um inocente o mal de outro culpado. Não use a felicidade como desculpa tampouco. Não procure virtudes passadas em pessoas presentes. 

Use os relacionamentos anteriores apenas como escola. Na qual você já se graduou. 

Quando o relacionamento é um jogo, não há vencedor. 

Se você espera que o relacionamento seja de um jeito, comece dentro de você. O que você faz, reflete no que o outro fará. Para o bem e para o mal. 

Quando errar, peça desculpas. Quando acertar, não peça recompensa. Assim ela virá. 

Perdoe. 

Se perdoe. 

O tempo todo. 

A empatia é o sentimento mais importante em um relacionamento. Quando você é capaz, genuinamente, de se colocar no lugar do outro tudo passa a fazer sentido. 

Mulheres e homens são diferentes. Custei a aceitar essa parte em especial. Mas existem coisas biológicas e evolutivas que nos fazem diferentes. Portanto, basta exercitarmos a empatia. E toda pessoa é diferente de qualquer forma. 

Brigar muito é sinal de que algo vai mal.

Não brigar nunca também.

Todos os grandes problemas de relacionamento começaram pequenos. Preste atenção aos detalhes, eles estão por toda parte. É preciso muito menos esforço para ajeitar um barulhinho no motor do que um motor fundido. 

Nunca espere que o outro faça o que está apenas na sua cabeça. 

Ciúme não é prova de amor.

Sexo, abraço e beijo liberam oxitocina e vasopressina, os chamados hormônios do amor. Pratique. 

Use todos os seus sentidos: audição, olfato, tato, paladar e visão. Eles são poderosos recursos para começar um relacionamento, manter e para saber quando terminar também. 

Se você acha que nunca mandaria uma carta de amor, faça. A única coisa no mundo que te impede de demonstrar amor é o medo. Seja corajoso. 

Não exija carta de amor em troca. Se for para ela chegar, o correio entrega. 

Não se complete apenas com o outro. Essa conta nunca fecha. Não tente sozinho também, é muito difícil e as vezes frustrante. Esteja sempre cercado de quem você ama. 

Se ame. 

Nada nem ninguém está sob o seu controle. Exceto você mesmo. Desapegue agora do controle ao externo e assuma imediatamente o seu controle interno. 

Quando você se preocupa demais com o outro, está desconsiderando ele como ser humano capaz de escolher, sentir e agir. Trate o outro como alguém capaz de guiar a própria vida, mesmo que seja para o buraco. Não quer dizer que você vai empurrá-lo até lá, mas você saberá que ele está indo porque quer. 

Use toda a exigência que você tem com o outro para si próprio. 

Não seja tão exigente. 

Existem diversas formas de falar. Acredite é possível dizer tudo, absolutamente tudo de um jeito positivo. 

Seja verdadeiro, com você primeiro, com o outro depois. Nessa ordem. 

Quando não souber o que quer, procure descobrir por si só. Ninguém pode te dizer o que querer. E ninguém deve viver sua dúvida também, causa-la em alguém não é a luz no seu caminho. Na dúvida, exponha sua dúvida. 

Todos os relacionamentos chegarão ao fim um dia. 

Alguns permanecerão vivos no dia seguinte. Existem milhares de finais simbólicos. 

Use-os para recomeçar mudando o que você gostaria, aprendendo o que você precisa e fazendo o que você não fez.

Quando for o final definitivo, você saberá. Sinta. Aceite. 

Quando aceitar, termine. 

As pessoas não terminam por puro medo: de causar dor em alguém ou de causar a própria dor. Sinto lhe informar que não terminar nesses casos é a pior dor que você pode sentir. 

Toda dor emocional crônica é causada pela imaginação. A nossa imaginação sobre o que o outro sente, pensa, faz é como câncer. Os fatos, por piores que sejam, são apenas uma topada com o dedinho na quina da cama. Dói duma vez, mas passa. Prefira sempre a topada ao câncer. 

Desapegue. Pessoas precisam partir das nossas vidas para que alguns sentimentos cheguem. Bons ou ruins, você precisa senti-los na totalidade. Só vive de verdade quem já sofreu e já sorriu. 

Não se culpe pela tristeza do outro, nem credite a você mesmo a felicidade absoluta dele. Pretensão vicia e pode matar. 

Separe você do outro, principalmente quando estiverem juntos e especialmente quando não estiverem mais. 

Não seja bundão, nem cuzão e nem fique com a bunda sempre no sofá. Faça o bem, não se acomode e tenha coragem. Se relacionar é acima de tudo uma série de exercícios de glúteos. 

Se não lembrar de nada disso, afinal escrevi pra caralho, queria que a gente pudesse se lembrar apenas da única, a verdadeira, a derradeira fórmula para relacionamentos serem saudáveis: a comunicação. 

Se escute. 

Escute. 

Fale.

De verdade.