Uno más

Foto na exposição do Liniers, um cara bem desperto.  

Foto na exposição do Liniers, um cara bem desperto.  

Contra ou a favor da vontade, da corrente, da maré, assim de repente, sem querer ou planejadamente, há de cada ser humano uma hora despertar.

Parar de fazer as coisas sem pensar. 

Parar de apenas alimentar o sistema. 

Acordar de um sonambulismo pesado e solitário. Meio assustado. Mas desperto. E que ao acordar, relembre todos os sonhos. 

Vai chegar o momento de questionar. O que tem sido feito? Como tenho vivido? Tenho vivido?

Que cada ser passe a pensar por si mesmo. Logo. 

Pare de repetir um comportamento, um padrão.

Pare de decidir, pela decisão dos outros. 

Que cada um saia da inatividade, do conformismo, da comodidade que é tão fácil, mas tão amarga. 

Que uma hora ou outra, cada um seja provocado. E a gosto ou contragosto, saia da inércia. 

Que abra os olhos e tire das trevas a consciência. 

Que desperte pra dentro. 

Ponha pra fora. Pro mundo. 

Há de pelo menos fazer arte, 

ou parte de algo maior. 

Que cada estado de espírito seja assim, um descobrir do mundo, descortinar os olhos e ver as coisas como são. Ou como quer que sejam (prefiro essa segunda). 

E acredito que é impossível não fazer uma outra pessoa ao menos, despertar quando você mesmo desperta. Vide uma criança quando chora. 

Eu quero mesmo agora é sair gritando pelos corredores da vida numa madrugada silenciosa: se eu não durmo, ninguém dorme.