A verdade é um prato que se come frio

O grande desafio da era da pós-verdade são as notícias falsas.

É preciso combatê-las com integridade (aquilo que é inteiro, que detém mais pedaços).

No Brasil as notícias falsas são um elemento fundamental desde (e para) a colonização. História a nossa que foi contada cheia de mentiras de berço e brasão.

A crise atual não é a da verdade e sim a da mentira vindo à tona.

Não é mais tempo de acreditar no que se ouve da boca dos padres, pastores e gurus podres.

Não é mais tempo de fugir pela porta da TV.

Os fatos estão há séculos sendo treinados e torturados nos porões da história, para servirem à mentira de alguns poucos homens.

Nossos pais estão atrasados em seus conceitos e os professores mal pagos.

Não sabemos quem é polícia ou bandido e vivemos sob o jugo do medo.

Não podemos deixar que a nossa internet siga o pior caminho e sirva, em maior volume, à propagação de violência, ódio e (manipuladas) opiniões pessoais. Ajudando à interesses, não mais de grandes corporações, mas do nosso mais perigoso interior.

Na era das fake news, verdades adormecidas por longos anos despertam e reivindicam seu lugar de fala.

É preciso ter ouvidos fortes.

Acreditar em quem? Em que?

Não sabemos. E é essa a nova era que se abre desconhecida.

As velhas fontes não são confiáveis, é preciso beber de novos lugares.

E nesse caos em busca do certo e errado a gente se esquece que tal coisa sequer existe. São tudo estórias. Mas há fatos. Dados. Contos. Causos. É preciso abrir os olhos e as páginas dos livros certos.

É o fim da era de ilusões limitantes sobre sociedade, indivíduo, moral, ética, política, estética, economia, etecetera.

Será?

Talvez temos aqui uma chance.

Para onde vamos? Não sabemos.

Mas temos a responsabilidade de arregaçar as mangas da preguiça de ser dominado e se tornar, não o dominante, mas o criativo capaz de algo novo.

A História, a Verdade e a Evolução são implacáveis e permanecerão mesmo depois da nossa morte.

Acredito que temos a tão sonhada chance de rever todo um código de entendimento do mundo. Pra deixar pros nossos netos. Criar um imaginário coletivo mais realista, mais verdadeiro, mais íntegro, com mais pedaços recolhidos em esforço conjunto.

É preciso que, depois de tanto tempo de inputs liberais e humanistas, a gente reconheça que esse ser individual e soberano à qual toda liberdade pertence, tem não só direitos, como deveres para ser livre e pela liberdade de todos.

Dê mais do seu inflado eu aos demais.

E permaneça atrás do rastro sutil deixado pela verdade e duvidando da lama fedorenta que a mentira exala desde sempre, mas a gente tampa o coração pra não sentir.

Mas é chegada a hora, Braseel:

Independência da mentira ou morte!