FIM

todo amor acaba. todo amor acaba? 


Introdução

Por que o amor acaba?

Eu queria ter feito essa pergunta antes de conhecer o amor pela primeira vez.

Mamãe, por que o céu é azul, por que só vemos as estrelas à noite e por que o amor acaba?

Teria desconcertado ela mais do que o dia em que perguntei o que era virgindade.

Virgindade a gente já nasce – descobre aos 15 – que acaba. E quanto ao amor? A gente só aprendeu que um dia ele começa.

Será que o amor acaba?

Essa pergunta também viria bem a calhar, perguntar para a minha mãe.

Porque ela, vai me amar para sempre, ô se vai.

Será que só alguns amores acabam?

Essa então é bem difícil. Porque se afirmativa fosse a resposta, eu me perguntaria, ou para a minha mãe, logo em seguida:

Como saber qual amor acaba?

E logo, acho que tão logo, eu entenderia, que na verdade, aquele que acabasse não era amor.

Então, se em adulta fosse sábia, me perguntaria todo dia, não mais do que já me pergunto:

O que é o amor?

Minha filha, você vai saber quando sentir.

E quando parar de sentir, vou saber?

Não, porque o amor não acaba, ele se transforma. Ou você passa a amar outro alguém, ou passa a amar você mesma.

A resposta então, é não?

Não é sim - Ponha a vírgula onde seu coração mandar, minha filha.

 

Fim número 1

Dois

Dois.

As vezes é par. As vezes é um. As vezes é mais. As vezes não dá. As vezes é muito. As vezes, pouco.

Dois. As vezes dói.

Eu.

Você.

As vezes só eu. As vezes nós. As vezes só você. As vezes eles.

Dois.

Um de um lado, outro do outro. Um em cima outro embaixo. Um aqui, outro lá.

Duas vezes mais difícil.

Duas vezes melhor.

Duas vezes eu.

Duas vezes sua.

Segundo fim.

Doeu.

 

Fim número 2

E vc?

Tem sempre um momento na vida em que a gente escolhe.

Um amigo sempre me disse, e talvez nem tenha sido ele o autor da frase, mas gosto de pensar que é. Gosto desse amigo. Ele diz: ‘você está onde você se meteu”. Simples assim.

Tem sempre a hora em que comer japonês era melhor que pizza, que virar a direita era mais curto, que vestir aquela camisa era mais fashion, que aceitar aquele emprego era mais enriquecedor, que evitar aquele olhar teria mudado tudo.

Ah aquele olhar. Eu me lembro tão perfeitamente. Você tem olhos pequenos, cheios de verdade.

Se eu não tivesse dado aquele meu sorriso mais sincero, colocado as mãos em você querendo mesmo te tocar, tudo teria sido diferente.

Se eu não tivesse mandado aquela mensagem, sorrido daquela piada, chamado você pra fumar. Muito mais de uma vez.

Se eu não tivesse aceitado fazer aquele job com você, se eu não tivesse te dado minhas melhores ideias.

Se eu não tivesse tomado aquela cachaça, dado aquela carona, puxado aquela conversa. Se eu não tivesse aberto a porta, ido ao cinema, começado a namorar.

Se eu não tivesse dito, se eu não tivesse sentido, se eu fizesse sentido.

Se eu não tivesse encontrado em você tudo o que eu nem sabia que estava procurando. Se eu não tivesse te atraido com tanta força. Se eu não tivesse aqui. Se eu não fosse eu. Se você não fosse você. Talvez a gente pudesse ter escolhido, naquele dia, naquele minuto, naquele olhar, naquele sorriso, naquele toque, naquele amor.

Se eu pudesse escolher, eu estaria aqui agora, me metendo nessa mesmo, de novo, e de novo, e de novo.

E você, onde está?

 

Fim número 3

Amargo

Eu coloquei  música clássica para tocar e minha razão de lado.

Quando eu te conheci, eu me lembro muito bem, seus olhos tinham tanta verdade e seu sorriso uma certa maldade.

Eu fui atraída como quando cai um pouco de açúcar na pia da casa da minha vó, e enche de formiga. Não tem formiga na minha casa, nunca teve.

Eu não consigo olhar pra você sem te desejar fortemente. Mas você insiste que o amor não precisa ser carnal. Para você, basta nossas conversas, nossos papos cabeça, nossa visão de mundo. Pra mim bastaria te beijar agora.

É muito chato não poder te beijar agora, nem nunca.

Não sei amar assim alguém, sem nem poder tocar. As formigas lambem o açucar até cansarem. Um dia eu cansarei.

 

Fim número 4

Não sei

-       Sabe o não saber?

-       Não, não sei.

-       Pois é…bem isso, bem por aí. Ou por aqui, ou talvez naquela curva que a gente não virou, naquele dia em que o sol nasceu normalmente às 5h57.

-       Não entendi.

-       Nem eu, meu bem, nem eu. Foi o que eu disse ali, no primeiro travessão. Acende um cigarro pra mim?

-       Fumar não resolve nada, você sabe né?

-       Não, não sei. Quem resolve então? Deus?

-       Deus não existe, bobo.

-       Quem fez então, aquele sol nascer às 5h57?

-       A gente. Lembra que a gente não dormiu, só pra ver ele aparecer? A gente apostou que horas seria e nem eu nem você achamos que seria depois das 6h.

-       A gente não fez aquilo, o sol nasceria de qualquer jeito.

-       Não o nosso sol, naquela janela, naquela cama, com aquele cheiro e aquele calor. Detesto que você fuma.

-       Detesto que você me ame.

-       Detesto não saber.

 

Fim número 5

Quando

Quando eu digo que quero ser sua amiga, somente amiga, queria dizer que eu gostaria de ser sua melhor amiga.

Quando eu digo que não sinto ciúmes, eu quero dizer que mataria qualquer uma que se aproximasse de você, inclusive sua mulher.

Quando eu digo que é trabalho, frio ou TPM, quero dizer que é porque você não quis ficar comigo.

Quando digo que não é nada, você é tudo.

Quando eu digo não, é sim.

Quando eu digo um dia, quero dizer agora.

Quando eu digo seja feliz, quero dizer, desde que seja comigo.

Quando digo tchau, queria que estivéssemos nos despedindo juntos, indo pro mesmo lugar.

Quando te encosto, queria te abraçar, quando te abraço, queria te beijar. Se eu te beijasse, você ia sentir o mesmo.

Quando você sai, eu queria ir atrás.

Quando você chega, eu queria vir ao lado.

Quando você mudar de ideia. Me avisa?

 

Fim número 6

Um dia

Quando você foi embora eu não quis nada teu. Não tirei do porta mala seu espólio, não bebi aquela vodka, não segui as horas do teu relógio, o fuso horário era outro e não quis segurar teu coração que ainda batia.

Mas não adianta não dormir mais na minha cama, nem mudar o caminho pro trabalho. Não dá pra fugir do cheiro na almofada, nem do jeito que você me abraçava quando abria a porta. Não dá pra não usar o seu sotaque mentalmente quando vou falar algumas palavras que só você dizia. Não dá pra não tomar mais mojito, nem cerveja, nem cachaça, e muito menos não vou abrir mão daquele licor de anis que você sempre soube que eu gostava, antes de você misturar ele com as nossas histórias. Eu nem poderia seguir sem beber. Não dá mais pra não fumar, muito menos não fumar. Não dá pra não dirigir meu carro, nem jogar fora meu celular, meu remédio, o jornal que eu recebo todo dia, o amor que você me deu.

Não dá pra sair de mim. Não dá pra colocar o coração numa gaveta, trancada com alguma chave que a gente perderia.

Não dá pra não acordar amanhã. Não dá pra não dormir a noite.

Não dá pra viver sem você. Não agora.

Um dia eu ainda vou odiar licor de anis.

 

Fim número 7

Playlist

Você roubou todas as minhas músicas.

 

Fim número 8

Um grande amor

Eu cresci e você ficou tão pequeno. A cidade ficou pequena também. As roupas já nem me servem mais. Meu amor era tão grande, mas eu te via maior do que realmente era. O princípe ficou pequeno, o cavalo branco ficou pequeno, o sonho, coitado, tão pequeno. O mundo é muito grande, meu bem. Eu tentei te dizer, tentei te mostrar, tentei te levar comigo, pra dentro do meu coração enorme. Foi lá que você ficou grande. Apenas lá.

Hoje eu sou maior que isso e você, uma pena, menor do que poderia ser.

A única que coisa que aumentou foi a sua barriga e o meu trauma.

Você ficou tão pequeno, tão pequeno, do tamanho de um cisco no olho, que me faz chorar de vez em quando.

 

Fim número 10

Começo

De vez em quando

o amor acaba

das outras vezes

nem começou

 

Fim número 11

Hora marcada

Quando deu meia noite

virou de lado

e dormiu

disse que estava cansado

nunca mais foi o mesmo

nem aquele lado da cama

nem o meu

 

Fim número 12

Final feliz

Trouxe café na cama. Detesto comer na cama. A única coisa que se come na cama é buceta. Nem cu eu não gosto de dar.

Acordo mau humorada pra cacete, obviamente quis discutir.

Joguei tudo em cima dele, e a merda no ventilador, menos o suco de laranja. Adoro suco de laranja de manhã, mesmo que dê azia. É igual amor, dá dor de estômago mas a gente toma antiácido homeopaticamente achando que vai curar. Beber porra seria melhor, mas não gosto, tem gosto metálico.

Foi embora, disse que não voltaria nunca mais. Afinal de contas uma mulher não pode falar tanto palavrão.

Amor, por acaso, é um palavrão e tanto, ele não sabia. Mais sujo que caralho e com gosto muito mais metálico no final.

 

Fim número 13

Era perfeito

Era tão legal, mais tão legal.

Que eu me sentia chata.

Era tão exemplar, que não precisa de mim como exemplo.

Era tão dedicado, até a mim se dedicava.

Era tão batalhador. Acordava as 5h e dava dinheiro pra mãe. Eu gastava no cartão do meu pai.

Era tão legal, tão legal, que ficou chato pra caralho.

Eu prometi que nunca mais acharia um cara tão legal.

Mas vira e mexe a gente se encontra por aí.

Eu, nunca mais me encontrei.

Não vai poder haver gente mais legal nesse mundo que você, nem eu.

 

Fim número 14

Tic tac

O relógio que você me deu, faz o tempo sem você passar bem devagar.

Ele desperta às 2h da manhã, todo dia e eu nunca quis desativar.

Puta horário idiota.

Mas toda noite que toca, gosto de pensar, porque você colocou essa hora pra me despertar.

Faço as contas, 5 horas, na frente do meu tempo.

Você sempre esteve assim, mais adiantado que eu.

Provavelmente vai me esquecer, antes que eu esqueça de você.

Se minhas contas estiverem certas, faltam 5 horas pra eu te esquecer.

Mas o desgraçado do relógio, me lembra todo dia às 2h da manhã.

Você fez certinho, colocou pra despertar em mim o que eu tinha adormecido.

 

Fim número 15

Traição

Você disse que me amava, virou as costas e voltou pra sua mulher.

Foi o amor mais rápido que eu tive.

Ela não.

 

Fim número 16

Fim pós-moderno

-       Eu te amo 

Visualizado

 

Fim número 17

Bambu

Fui cedendo, cedendo

O filme, o restaurante

O amigo, o cigarro

A felicidade

Cedi, cedi que quebrei

 

Fim sem número 

O de sempre

Não existe final feliz.

Existe começo feliz.

Se é final, dói.

 

Fim depois do fim

Começou acabando

Ele estava em depressão.

Ela era pura expressão.

Quando ele se expandiu. 

A deprimiu.

E essa perda.

Foi um ganho.

Esse fim,

um livramento. 

Um outro começo

de algo que nunca se viu.

Ele foi embora.

Ela ficou.

Ele fugiu.

Ela se achou. 

 

 

Final de temporada

Decepção em série - contém spoilers

Nosso amor acabou

junto com game of thrones.

Morreu

antes do casamento.

E sem você,

winter is coming.

Mas calma lá

Você já me matava por dentro.

E eu

guerreira

tirei a espada do peito

pra fingir que criar dragões

era fácil pra caralho.

Ledo engano,

quando vi

estava cagando

e você me deu uma flechada mortal.

Agora, assisto friends,

eles nunca me decepcionam. 

 

Fim número 21

Silêncio sem fim

Eu queria ser boa em silêncio, mas sempre fui melhor com as palavras.

Já fui boa em guardá-las e transforma-las em toda espécie de doença. 

Agora, eu não quero mais engolir uma sopa de letrinha sequer.

Porque minha fome de falar é gigantesca.

E não hei de me calar nem pra reforçar um amor platônico. 

Porque pra mim todo amor é grito.

Queria aguentar seu silêncio calada, mas nunca fui boa em espera.

Na fila do poupa meu tempo eu quero por pra fora que te quero.

E se você quiser também, me responda nem que seja com um piscar de olhos.

Se você não gosta de falar comigo, que se comunique de outras formas.

Mande um sinal de vida, de fumaça, pense em mim só um pouquinho?

Porque nunca fui boa sozinha. 

E pensar aqui no meu canto, só me amargura o chá e o pranto. 

Quero por pra fora em canto.

Quero por pra fora esse encantamento.

Quero por pra dentro tudo de você.

E engolir duma vez só e passar a eternidade indigesta. 

Melhor afogada em excesso do que rastejando em migalhas. 

Seu silêncio já está dizendo muita coisa na sala de mal estar do meu peito.

Coração que bate pouco a pouco com suas doses homeopáticas de bons-dias. 

Enquanto eu quero acordar todos eles ao seu lado.

Você quer estar sozinho.

Ou mal acompanhando.

Porque não há de ser verdade, não consigo conceber, porque será minha vaidade, me diz ter certeza que cada calada sua é um sentimento velado, dito pra dentro, ficando incrustado nesse espaço visível entre eu e você.

Só queria a sua coragem, pra voltar naquela porta, dizendo com todas as letras, todas as palavras que na minha cabeça eu guardo.

Mas você só mastiga e cospe como um velho e seu tabaco. 

Ruminando as minhas esperanças e meu ponto fraco. 

Eu me confortaria, e sequer te confrontaria se ao menos eu soubesse, que você pensa em mim quando deita. Na cama. Com outras. 

Não quero a sua presença o tempo todo, quero apenas as suas palavras pingue-pongueando na sua alma e batendo aqui em casa, dizendo 'fica comigo' e eu posso então pensar no que dizer cara a cara, porque hoje cada diálogo nosso é somente imaginário e em todas as versões eu sempre calo. 

Queria ser boa em silêncio, desde que fosse ao teu lado.

Não cala essa voz, não cala nem que seja um não, não cale menino não cale, diga na minha cara qualquer coisa, desde que seja eu te amo. 

 

Fim número 22

Saudade

sou sua

sua saúde

sua vontade

sua virtude

sou toda 

sua 

sau

da

de

a volta ao mundo

e volte

pro meu mundo

onde eu

sou somente

sua

 

Fim número 23

Maligno

o amor é uma doença

um tumor sem esperança

que cresce dentro da gente

e faz viver mesmo que morra

 

Fim número 24

Barreira

o amor é um muro na boca

e outro no ouvido 

 

Fim número 25 - como seus 25 aninhos

Por que?

Não é que eu queira respostas, eu quero fazer as perguntas. 

Vou parafrasear aqui a querida raposinha sapeca, essa grande filósofa contemporânea, em sua frase mais célebre: não entendir.

Por que você voltou, bateu na porta, foi embora, voltou de novo, voltou mais uma vez e outra e depois foi embora de vez?

Por que voltou aquele dia?

Por que veio afinal?

Sua boca e as palavras e beijos que saem dela tem responsabilidades. 

Você não deveria ter o direito (ou deveria, mas não me agrada o fato) de ir e vir sem explicação. 

Cada vez que você veio e foi embora, foi uma parte minha contigo. Como se você tivesse roubado minha carteira e eu ainda estivesse na fila do poupa tempo tirando a segunda via do RG. 

Então não venha numa próxima. Numa próxima mulher. 

Por que foi tão incrível e você sumiu?

Foi bom só pra mim?

Foi de mentira?

Foi um susto?

Deu medo? Em mim deu, eu te entenderia.

Só queria saber.

Só queria entender.

O que aconteceu pra que você tivesse chegado em erupção e de repente esfriado. Vesúvio ficaria puto com você se soubesse que anda por aí em inatividade por opção.

Não se acende no outro uma chama que arde e vai embora com o isqueiro na mão. 

Foi algo que eu falei?

Foi algo que eu fiz? 

Foi algo que você comeu (ou não comeu, neste caso) que te fez mal?

O foda é perceber que eu sou uma imbecil que acha que a culpa é minha.

A culpa é minha?

Existe culpa?

Vou levar essa parte em especial pra terapia.

Não era a hora?

Não queria compromisso?

Fui agressiva? Independente? Feminista de mais? Nunca irei me desculpar por isso, ok?

Você se sentiu exposto, com seus maiores segredos no chão da sala e teve medo que eu não cuidasse deles?

Deixa eu te contar uma coisa: também tenho segredos, e quem estiver lendo também tem e todos nós sabemos cuidar bem de segredos. Né galera? 

Só queria saber seu ponto de vista, porque o meu já está embaçado, de saco cheio das minhas visões. 

Foi o beijo?

Foi ruim?

Ou bom demais?

Acontece mesmo da gente fugir do que gosta.

Ou você só não estava afim?

Acontece também.

E eu até lido bem com a rejeição.

Mas tenho a mesma habilidade da minha vó no computador quando se trata de lidar com o silêncio.

Por que me ignorou?

Por que ignorou os sinais?

Existem sinais?

Ou estou vendo de mais?

É que neste ponto de vista aqui, tudo é como eu quiser. E isso é uma merda.

Por que você não quis?

Não precisa responder. 

Mas aposto que você tem um monte de perguntas.