Uma amiga minha tem um livro impressionante. São fotos oficiais das Olimpíadas de Berlim de 1936 em 3D. Isso mesmo, com óculos e tudo. Uma relíquia de família. Gostava de ir à casa dela só ficar olhando aquelas fotos em preto e branco que formavam um imagem tridimensional. Os detalhe, as roupas da época, o corpo dos atletas, tudo saltando graciosamente do livro. Era como estar lá. 

Em um show impecável de um 3D rudimentar, as pessoas na plateia fazendo o mesmo movimento com o braço se tornava hipnótico. O movimento em questão: a saudação nazista. Em uma das fotos, a mais impactante pra mim, Hitler está na tribuna ao lado de Goebbles com os mesmos braços levantados e arrepiando até os meus pelos do cú. Era como ver ele de perto, com vida. 

Corta a cena, Olimpíadas no Rio em 2016, temos um governo golpista no país sede, discursos parecidos com os dos nazistas pelas redes sociais afora e países que, enquanto seus atletas jogam, estão em guerra bem agora. 

Foda. 

Nesse mesmo livro tem uma foto que também me marcou: Jesse Owens, atleta americano no pódio. Ele ganhou, naquela edição, 4 medalhas de ouro no atletismo, o esporte mais importante da época. 

Ele era preto. 

O sistema vigente o odiava. Um ódio baseado em um conceito, não em fatos. Um conceito, bastante difundido, de que existia uma supremacia branca. De que alguns seres humanos eram melhores que outros. Muita gente comprou essa ideia.

Mas ele venceu. Ele quebrou um recorde e um paradigma. Ele era uma falha no sistema. 

É que o sistema em essência destrói a diversidade. E vencer um sistema que te odeia é realmente heróico. 

Resta tentar esconder as diferenças e parecer de alguma forma normal. Mas a norma mata mais gente que a guerra. 

As Olimpíadas falam, em essência, sobre paz, sobre união. Um evento onde a história é feita e contada em tempo real para milhões de pessoas pelo mundo, é uma oportunidade e tanto pra reforçar as várias formas, cores, costumes, corpos e escolhas do ser humano. 

E não importa quanto se tente aniquilar a diversidade, ela não vai acabar, porque a natureza humana não foi feita pra ser de um só jeito. 

A representatividade que estamos vendo nessas Olimpíadas é fundamental para que cada pessoa oprimida, consiga ver a si mesmo como campeão. Nas Olimpíadas das Olimpíadas tem vencedor@s de tudo que é jeito. 

E assim vamos mudando uns paradigmas e quiçá o mundo.

Parabéns a todos os Owens. 

Vai Brasil. 

Fora Temer.

Carla CortegosoComment